O plantio da safra 2009/2010 de algodão em Mato Grosso começou este mês com um certo otimismo. A previsão do Instituto Matogrossense do Algodão (IMAmt) para esta safra é de que a área plantada com a cultura permaneça estável ou apresente leve aumento, ficando em torno de 370 mil hectares, incluindo a safra de verão e a safrinha. No estado, o grande avanço deve ficar para o algodão adensado, que deve saltar de uma área plantada de 4,5 mil hectares para entre 40 mil e 45 mil hectares nesta safra que começa. O diretor-executivo do IMAmt, Álvaro Salles, explicou que as perspectivas atuais são positivas porque os preços internacionais estão aquecidos, devido à tendência mundial de melhora na economia e de aumento no consumo do algodão. Nesse cenário, ele observa que se vislumbra certo lucro para a atividade, girando entre US$ 300 e US$ 400 por hectare. “O produtor está mais otimista que no ano passado”, confirmou. O custo de produção, com o fertilizante, um dos grandes vilões na safra passada, apresenta uma situação mais amena na safra 2009/2010. O diretor-executivo calcula que o fertilizante está em um patamar mais aceitável nessa safra. O custo de produção para a cultura em Mato Grosso, segundo ele, deve ficar em uma média entre US$ 1,7 mil e US$ 1,8 mil para o algodão convencional e em torno de US$ 1,4 mil para o algodão adensado. Outro fator positivo até o momento é o clima, que tem sido bem favorável. Mesmo com um panorama mais positivo, Álvaro Salles justifica que a área plantada com algodão deve permanecer estável devido ao cenário mais favorável para a cultura da soja. Ele lembra que, quando os insumos estavam sendo adquiridos, os preços do algodão no mercado internacional não estavam tão bons como agora. No entanto, o diretor-executivo acredita que a situação da cultura do milho no estado pode influenciar positivamente para um incremento na projeção da área plantada com algodão. Isso porque o produtor do estado não está conseguindo escoar a safra de milho, havendo muito grão estocado e que também pode afetar a estocagem da soja. Apesar dos melhores preços internacionais, Álvaro Salles pondera que um dos problemas atuais é o câmbio atual desvalorizado. Uma outra ponderação é que o preço internacional bom não significa que o produtor vai conseguir, de fato, negociar sua produção nos patamares mais altos. Outras preocupações dos produtores de algodão são a baixa disponibilidade de máquinas adaptadas para a colheita do tipo adensado e com o atraso na condução das pesquisas dos transgênicos para a cotonicultura, esperados para trazer mais eficiência e redução de custos. A Associação Matogrossense dos Produtores de Algodão (Ampa), por sua vez, divulgou esta semana que acredita em uma área plantada de até 400 mil hectares com algodão em Mato Grosso nesta safra.
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