As exportações da carne matogrossense para a União Europeia caíram 54% este ano, em comparação com o ano passado. Segundo levantamento do Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária (Imea), de janeiro a outubro de 2008 foram exportadas para a União Europeia 18,6 mil toneladas (equivalente carcaça) e no mesmo período deste ano, registrou-se apenas 8,5 mil toneladas, marcando uma queda de 10,1 mil toneladas. As informações são da Associação de Criadores de Mato Grosso (Acrimat). “O Sisbov, sistema de rastreabilidade, foi sem dúvida o grande entrave nas vendas para os países europeus. A falta de uma política séria, confiável e auditável, provoca uma instabilidade certeira na relação comercial com a Europa”, analisou o superintendente da Acrimat, Luciano Vacari. Ele acredita que as novas regras aprovadas pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado Federal, vão mudar esse cenário, “pois todos os pecuaristas poderão cumprir e são auditáveis”. Outros fatores que influenciaram na queda das exportações podem ser observados nos números registrados nas exportações para a Venezuela e Oriente Médio. A redução nas vendas para a Venezuela chegou a 63%: as 48,6 mil toneladas comercializadas de janeiro a outubro de 2008 baixaram para 17,8 mil toneladas no mesmo período de 2009. A queda também é grande com relação ao Oriente Médio, registrando uma redução de 35%. Foram exportadas 36,2 mil toneladas de carne de Mato Grosso em 2008 contra apenas 23,4 mil toneladas este ano. “A grande influência nesses mercados foi a crise do petróleo. Sem dinheiro, a queda nas compras foi imediata, mas esse quadro já começa a se reverter e acreditamos numa retomada nas exportações para esses países”, comentou Vacari. A china e a Rússia evitaram uma queda ainda maior nas exportações neste ano de crise mundial. “A Rússia fez uma grande diferença no volume de carne bovina exportada e é nosso maior consumidor, principalmente da carne de dianteiro, mais barata”, ressaltou o superintendente da Acrimat. O aumento das vendas para a Rússia foi de 37%, saltando de 37,3 mil toneladas para 58,8 mil toneladas. No caso da China o aumenta nas exportações também foi significativo, registrando uma alta de 38%, saindo de 8,5 mil toneladas para 13,7 mil toneladas em 2009. “A China cresce num ritmo frenético, de mais de 10%, e isso refletiu no aumento de consumo da carne”, disse Luciano Vacari.
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